Com saída de Nísia, Lula já trocou oito ministros na Esplanada

Com a demissão da ministra da Saúde, Nísia Trindade, nesta terça-feira, 25, subiu para oito o número de mudanças em ministérios realizadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desde o início do mandato. Novas trocas estão previstas nas próximas semanas, com o pontapé inicial para a reforma ministerial.

Nísia não resistiu às frituras internas e à falta de entrega de uma marca registrada cobrada por Lula. Outro fator que contribuiu foi a necessidade de atender e encontrar uma saída honrosa para Alexandre Padilha, que era demissionário na Secretaria de Relações Institucionais (SRI). Padilha assumirá a Saúde a partir do dia 6 de março.

A demissão de Nísia e a troca de Padilha da SRI para a Saúde são apenas o pontapé para outras mudanças que devem acontecer nas próximas semanas. Lula deve nomear um novo articulador do governo, além de fazer trocas em outras pastas, como a das Mulheres, Agricultura, Desenvolvimento Agrário e na Secretaria-Geral da Presidência da República. Internamente, as mudanças estão previstas para após o Carnaval.

Desde o início do mandato, Lula cedeu às pressões do Centrão, fez trocas para melhorar a comunicação e, agora, afrouxa sua resistência para mudanças em pastas cruciais. As mudanças visam melhorar a governabilidade perante o Congresso Nacional e, de quebra, fortalecer a imagem do governo com vistas às eleições de 2026.

As duas únicas mudanças vistas como indiscutíveis no Planalto aconteceram no Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e no Ministério dos Direitos Humanos. Em abril de 2023, o então chefe do GSI, general Gonçalves Dias, foi demitido após imagens de câmeras de segurança apontarem uma suposta omissão do militar durante os ataques de 8 de janeiro. Em seu lugar, assumiu o general Marco Antônio Amaro dos Santos, que comanda a pasta atualmente.

Já no Ministério dos Direitos Humanos, Silvio Almeida não resistiu à pressão após a divulgação de uma denúncia de assédio sexual contra a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. Ele nega as acusações e chegou a prestar depoimento à Polícia Federal nesta terça-feira. Almeida foi substituído por Macaé Evaristo.

Outras mudanças no governo aconteceram por pressão do Centrão, como a entrada de André Fufuca (Esportes) e Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos). Ambos são deputados filiados ao Progressistas e ao Republicanos, respectivamente, e entraram no governo para dar mais alívio ao Planalto nas pautas na Câmara dos Deputados. Com a entrada de ambos, a ministra Ana Moser deixou a pasta dos Esportes, enquanto Lula foi obrigado a criar o Ministério do Empreendedorismo para abrigar Márcio França.

Já Celso Sabino (União Brasil) assumiu o Ministério do Turismo após pressão do União Brasil, que queria fritar Daniela Ribeiro, que apoiou Lula nas eleições de 2022. Daniela deixou a legenda para se filiar ao Republicanos e a sigla, hoje comandada por Antônio Rueda, ameaçou desembarcar do governo caso a troca não fosse realizada.

Outro que deixou o governo foi Flávio Dino, que comandou o Ministério da Justiça e Segurança Pública por cerca de um ano. Ele saiu da pasta após ser indicado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), dando lugar ao atual ministro Ricardo Lewandowski.

A última mudança realizada na Esplanada dos Ministérios foi na Secretaria de Comunicação Social. Com a popularidade em baixa e as críticas de uma comunicação “analógica”, Lula demitiu Paulo Pimenta e colocou o responsável por sua campanha nas eleições de 2022, o publicitário Sidônio Palmeira, que fez diversas mudanças internas, incluindo a retirada de nomes de confiança do petista e de sua esposa, a primeira-dama Janja da Silva, de cargos da pasta.

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