Justiça encerra custódia de estudante baleado por PM reformado e solta mototaxista

Na madrugada de segunda-feira (24), um trágico incidente ocorreu no bairro da Penha, no Rio de Janeiro, envolvendo um estudante universitário e um policial militar reformado. Igor Melo, estudante de jornalismo, foi baleado e permanece internado após ser confundido com um criminoso. O mototaxista Thiago Marques Gonçalves, que estava com Igor, também foi alvo do policial. O PM, Carlos Alberto de Jesus, saiu em busca dos supostos ladrões do celular de sua esposa e, ao avistar Igor e Tiago em uma motocicleta, disparou contra eles. As versões apresentadas por Carlos e sua esposa, Josilene, sobre o ocorrido, são conflitantes.

Após o incidente, Thiago Gonçalves foi detido, mas liberado após prestar depoimento. Em seu relato, ele descreveu os momentos de tensão e medo durante a abordagem. A esposa de Igor, Marina Moura, acredita que o incidente foi motivado por preconceito racial, já que tanto Igor quanto Thiago são negros. A mãe de Thiago, Jaqueline Marques de Frias, expressou alívio ao reencontrar o filho, enquanto o pai dele, indignado, clama por justiça e punição para o policial responsável pelo disparo. O caso está sendo investigado pela Corregedoria da Polícia Militar, a Polícia Civil e o Ministério Público. “Meu filho estava trabalhando para levar o leite das crianças. Ele tem duas crianças pequenininhas dentro de casa. É inocente. Nunca se envolveu com drogas e tem a ficha limpa. Nunca deu trabalho para mim e para a mãe dele. Saiu para trabalhar e quase não voltou por causa de um cara desse aí”, disse Clemilson da Silva Gonçalves.

Este incidente trágico reacendeu o debate sobre a violência policial e o racismo estrutural no Brasil. Estudos apontam que a atuação policial no país, especialmente no Rio de Janeiro, é frequentemente marcada pelo uso excessivo da força, muitas vezes direcionada a comunidades negras e pobres. Dados do Atlas da Violência de 2019 revelam que 75% das vítimas de homicídios no Brasil são negras, destacando uma desigualdade racial alarmante.

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Especialistas alertam que, embora o racismo estrutural seja um fator importante, o problema é mais amplo, envolvendo a descrença no sistema de justiça e a violência cotidiana enfrentada por moradores de áreas como a Penha. A sociedade civil e organizações de direitos humanos têm se mobilizado para exigir uma investigação rigorosa e transparente do caso.

*Com informações de Rodrigo Viga

 

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