A expulsão de Garrincha na semifinal da Copa de 1962 causou grande polêmica

Na última coluna do “Memória da Pan”, destaquei a final da Copa de 1962, no Chile, entre Brasil e Tchecoslováquia, e disponibilizei o áudio da transmissão feita pela Guaíba, do Rio Grande do Sul. O pesquisador Ciro Götz, que faz um grande trabalho de preservação do rádio gaúcho, me repassou também a gravação da partida semifinal: 

BRASIL 4 × 2 CHILE – Santiago – 13.06.62

Brasil: Gylmar, Djalma Santos, Mauro, Zózimo e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Amarildo e Zagallo

Técnico: Aymoré Moreira

Chile: Escuti, Eyzaguirre, Raúl Sánchez, Contreras, Eladio Rojas, Jaime Ramírez, Toro, Landa, Leonel Sánchez, Manuel Rodriguez e Tobar

Técnico: Fernando Riera 

Árbitro: Arturo Yamasaki (Peru)

Gols: Garrincha (9 e 31) e Toro (41) no primeiro tempo. Vavá (3 e 33) e Leonel Sánchez (17) na etapa final

Público: 72.896 (recorde de público da Copa)

Vavá e Garrincha, com dois gols cada, garantiram a classificação brasileira para a decisão. Entretanto, um fato ao final da partida diante dos chilenos entrou para a história. O ponta direita brasileiro, cansado de apanhar dos marcadores, principalmente de Rojas, resolveu devolver a agressão. Mané não foi violento, deu um toque com a ponta das chuteiras no adversário. O bandeirinha uruguaio Esteban Marino viu a cena e dedurou Garrincha ao árbitro peruano Arturo Yamazaki. O juiz, então, resolveu expulsar o ponteiro do Brasil. Na época, as expulsões ainda eram verbais, não havia cartão amarelo e vermelho. 

A presença de Garrincha na final iria depender do julgamento de um tribunal de arbitragem da FIFA. Foi aí que a cartolagem brasileira mexeu os “pauzinhos”. No dia seguinte ao duelo, a Folha de S.Paulo apresentou a seguinte manchete: “Garrincha hoje é réu.” Entretanto, o uruguaio Esteban Marino não compareceu para dar o testemunho dele e Garrincha foi absolvido. 

Jogador Garrincha passa o pé sobre a bola e engana seu marcador durante partida da Seleção Brasileira contra a Inglaterra,realizada em Sausalito, válida pela Copa do Chile de 1962

Copa de 1962 no Chile: Garrincha engana seu marcador durante partida da seleção contra a Inglaterra (Arquivo/AE)

Esse é um dos episódios mais controversos da Copa de 1962 e gera especulações até hoje. Por que o bandeirinha não foi ao julgamento? Esteban Marino era conhecido dos cartolas de São Paulo, já tinha apitado partidas do Campeonato Paulista. Será que houve suborno? O ex-árbitro Olten Ayres de Abreu, suplente de João Etzel no mundial, fez uma revelação anos depois. Segundo Abreu, os cartolas da CBD pediram para que Etzel entregasse uma mala contendo 10 mil dólares a Esteban Marino. Por esse motivo, o bandeirinha uruguaio simplesmente desapareceu do Chile e não testemunhou contra Mané Garrincha. 

Ouça agora a transmissão da partida contra o Chile na voz de Mendes Ribeiro da Rádio Guaíba:

 

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