Será que Zelenski se reelegeria na Ucrânia?

Trump afirmou que ucraniano é “ditador sem eleições” e tem índices de aprovação “muito baixos”. Mas o que dizem as pesquisas de opinião sobre o assunto?O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, está se esforçando para provar que seus índices de aprovação são significativamente mais altos do que os 4% citados recentemente pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

Em 23 de fevereiro, Kiev informou que 65% dos ucranianos apoiavam Zelenski. Nenhuma fonte foi citada, mas aparentemente o governo se referia aos resultados de uma pesquisa realizada pelo instituto ucraniano Rating em 20 e 21 de fevereiro com 1,2 mil pessoas.

De acordo com a sondagem, quase um terço confia totalmente em Zelenski; outro terço confia mais ou menos, e cerca de 34% não confiam nele de forma alguma. O levantamento também mostrou que a confiança nele melhorou: em novembro, esse índice era de 53%.

Críticas às acusações de Washington

No entanto, uma pesquisa com mil entrevistados realizada no início de fevereiro pelo Instituto Internacional de Sociologia de Kiev (KIIS) indica um apoio um pouco mais modesto: 57% dos entrevistados confiavam em Zelenski. Segundo o levantamento, a proporção de apoiadores do governante distribuídos em todas as regiões do país está acima de 50%.

Foi exatamente essa pesquisa que Elon Musk criticou, afirmando que ela só provaria que o KIIS é tendencioso porque supostamente recebe fundos da Usaid, agência dos Estados Unidos para cooperação internacional em desenvolvimento. O diretor do KIIS, Anton Hrushetsky, rejeita essa afirmação e enfatiza que realizou a pesquisa por iniciativa própria.

O sociólogo duvida do índice de aprovação de 4% de Zelenski citado pelo governo Trump. “O apoio às suas ações e a confiança nele são categorias diferentes, e é por isso que as pesquisamos separadamente. De acordo com outras pesquisas que realizamos, a aprovação das ações de Zelenski foi, na verdade, vários pontos mais alta do que o nível de confiança nele”, explicou Hrushetsky à DW.

Ele também confirma que a confiança dos ucranianos em Zelenski voltou a aumentar novamente. Isso é demonstrado por pesquisas recentes realizadas por seu instituto. No entanto, isso pode ser apenas um efeito de curto prazo, o que não seria a primeira vez. “Quando o presidente é visto no contexto da política externa, quando ele fala em fóruns e busca ajuda ocidental, sua aprovação sobe. Assim que a política interna domina com as questões de corrupção ou mobilização, a confiança nele cai”, diz o especialista.

Territórios ocupados e refugiados

O território sob o controle de Kiev, onde os pesquisadores ucranianos podem realizar pesquisas, diminuiu. “Nos territórios ocupados que são cobertos pela rede de telefonia móvel ucraniana, ainda é possível realizar pesquisas por telefone”, diz Hrushetsky. Não há pesquisas em outras áreas porque as entrevistas presenciais são muito perigosas, de acordo com o chefe do KIIS.

Oleksiy Haran, professor de política da Kyiv Mohyla Academy, enfatiza à DW que é difícil dizer como as opiniões das pessoas nos territórios ocupados mudariam os resultados da pesquisa. “Também é improvável que essas pessoas possam participar de uma eleição, de modo que sua opinião tem pouca influência sobre a legitimidade do presidente”, diz o especialista, que também trabalha como consultor do centro de pesquisa Democratic Initiatives.

A opinião dos refugiados ucranianos – milhões dos quais estão na União Europeia e em outros lugares – também é pouco analisada. Sua confiança em políticos ou instituições individuais dificilmente difere dos números da Ucrânia, segundo Anton Hrushetsky.

Ao mesmo tempo, o sociólogo observa que os refugiados estão perdendo cada vez mais o interesse pela política ucraniana. Em maio de 2024, por exemplo, cerca de um terço dos 801 refugiados ucranianos entrevistados pelo KIIS na Polônia, Alemanha e República Tcheca declararam que não estavam mais interessados nas notícias ucranianas, enquanto apenas um terço disse que votaria em possíveis eleições.

Discussão sobre as próximas eleições

Além de Donald Trump, Vladimir Putin também abordou recentemente a popularidade de Zelenski. “Não é realmente importante a porcentagem que ele tem, seja quatro ou a que for. O que é importante é outra coisa: que sua classificação, de acordo com nossos dados, é metade da de seu rival político mais próximo. Trata-se do general Valerii Zaluzhnyi, ex-comandante das Forças Armadas da Ucrânia, que foi enviado a Londres”, disse o líder do Kremlin em uma entrevista à mídia russa.

“Essas comparações são inadequadas”, diz Anton Hrushetsky, porque Valerii Zaluzhnyi, agora embaixador no Reino Unido, não anunciou nenhuma ambição política. “No entanto, ele e outros comandantes são repetidamente incluídos em pesquisas sobre possíveis eleições. Isso pode distorcer o quadro, pois os militares, que têm muita confiança do povo, podem tirar votos de outros candidatos”, diz o especialista.

O mandato regular de Zelenski teria terminado em maio de 2024, mas nenhuma eleição pode ser realizada devido à lei marcial em vigor no país. No entanto, os pesquisadores ucranianos realizam regularmente pesquisas em nome de várias forças políticas sobre os possíveis resultados das eleições parlamentares e presidenciais. “Mas não publicamos esses números porque eles poderiam desestabilizar a situação atual do país em função da guerra”, diz Oleksiy Haran.

No entanto, esse acordo informal entre os pesquisadores contrasta com o aumento das discussões sobre possíveis eleições. O jornal Ukrajinska Pravda publicou recentemente uma pesquisa do Socis, instituto de pesquisa de opinião e mercado apoiado por Ihor Hryniv, entre outros. Ele foi membro da aliança do ex-presidente Petro Poroshenko no antigo Parlamento e seu gerente de campanha.

Sob a pergunta “em quem você votaria se as eleições presidenciais fossem realizadas em um futuro próximo?”, os pesquisadores do Socis listaram 13 candidatos como possíveis respostas. Além de Valerii Zaluzhnyi, três outros oficiais militares estavam entre eles: o chefe da inteligência militar Kyrylo Budanov, em quem 3,2% votariam, o comandante de brigada Andriy Biletskyi (2,8%) e o comandante da Brigada Azov da Guarda Nacional, Denys Prokopenko (1,3%).

Zaluzhnyi estaria à frente, com 27,2%. Logo atrás vem Zelenski, com 15,9%. Petro Poroshenko ficaria em terceiro lugar, com 5,6%. No entanto, a proporção de eleitores indecisos continua alta, com 21,6%.

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