Liberdades políticas e civis registram retrocesso nas Américas, afirma Freedom House

Os direitos políticos e as liberdades civis nas Américas sofreram novamente uma “erosão” em 2024, apesar de ser uma das regiões mais livres do mundo, destacou nesta quarta-feira (26) a organização americana de promoção da democracia Freedom House.

Nicarágua, Venezuela, Cuba e Haiti continuam sendo considerados países não livres, enquanto México, Guatemala, El Salvador, Honduras, Equador, Peru, Bolívia e Paraguai são parcialmente livres e os demais países da região são considerados livres.

“Doze dos 35 países registraram quedas na pontuação geral”, em particular Nicarágua, El Salvador e Venezuela, e outros melhoraram, especialmente a Guatemala, aponta o relatório anual.

El Salvador empatou “com o Haiti na maior queda na pontuação da região”, alerta a organização, que recebe subsídios do governo dos Estados Unidos.

O país prosseguiu em “sua queda para um regime autoritário sob o presidente Nayib Bukele”, que foi eleito para um segundo mandato consecutivo “proibido constitucionalmente”, destaca a organização.

Na Venezuela, o presidente Nicolás Maduro “desencadeou uma brutal onda de repressão (…) negando aos venezuelanos o voto pela mudança nas urnas e provocando uma deterioração ainda maior da liberdade”, denuncia.

A oposição venezuelana afirma que venceu as eleições de 2024 com mais de 70% dos votos.

Em outros lugares das Américas, as crises políticas dificultaram os esforços para combater a violência do crime organizada e a falta de segurança.

O Haiti teve uma sucessão de primeiros-ministros não eleitos enquanto o governo de transição e uma missão policial internacional lutavam para conter a espiral de violência.

No Equador, “a resposta militarizada do presidente Daniel Noboa ao crime organizado não conseguiu reduzir significativamente a taxa de homicídios”, afirma o relatório.

Na Bolívia, a tensão entre o governo do presidente Luis Arce e os partidários do ex-presidente Evo Morales aumentou “com uma breve tentativa de golpe de Estado em junho”.

A Freedom House felicita a Guatemala, “que registrou o maior avanço de pontuação da região”.

“O presidente Bernardo Arévalo implementou com sucesso medidas para melhorar a transparência governamental, apesar de lutar contra a corrupção profundamente enraizada no sistema judicial do país”, afirma a organização.

No restante do mundo, as liberdades políticas e civis também retrocederam no ano passado, mas dois países passaram a integrar a lista dos bons exemplos: Senegal e Butão.

O sul da Ásia se destaca com progressos em Bangladesh, Sri Lanka e a Caxemira sob administração indiana, apesar do retrocesso no conjunto da Índia.

Este foi o 19º ano consecutivo de erosão da liberdade política no mundo, segundo Yana Gorokhovskaia, coautora do relatório.

Bangladesh e Síria, onde combatentes islamistas derrubaram Bashar al-Assad em dezembro, registraram avanços nas liberdades civis.

O único país com a nota perfeita 100 é a Finlândia, seguida por Nova Zelândia, Noruega e Suécia.

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