Coreia do Sul enfrenta piores incêndios da história do país

"KunIncêndios florestais sem precedentes se alastram há sete dias. Destruição já deixou 27 mortos e 37 mil deslocados no sudeste do país. Patrimônios históricos, incluindo dois templos de mil anos, viraram fuligem.Equipes de resgate correm nesta quinta-feira (26/03) para salvar pessoas e patrimônios históricos durante os maiores e mais letais incêndios florestais já registrados na Coreia do Sul, que avançam pelo sétimo dia. Ao menos 27 pessoas morreram e 37 mil foram deslocadas de suas casas devido ao fogo, de acordo com as autoridades coreanas.

Os incêndios devastaram até o momento mais de 35 mil hectares (o equivalente a cerca de 35 mil campos de futebol) no sudeste do país. O clima seco e os ventos fortes ajudaram a espalhar o fogo.

Entre as milhares de pessoas que tiveram de deixar suas casas, estão moradores de uma aldeia tradicional declarada patrimônio mundial da Unesco, a vila Hahoe, fundada entre os séculos 14 e 15. Vários presos também tiveram de ser transferidos.

O governo mobilizou cerca de 9.000 funcionários, 120 helicópteros e outros equipamentos para combater as chamas. Entre as vítimas, inclusive, estão um piloto de helicóptero e quatro bombeiros que morreram em serviço, além de outros trabalhadores que ficaram presos pelas chamas.

Não há informações detalhadas sobre os civis mortos. O que se sabe é que a maioria tinha 60 anos ou mais e teve dificuldade de escapar rapidamente, ou até mesmo recusou ordens de evacuação.

Há a suspeita de que alguns focos começaram por intervenção humana, incluindo casos em que o fogo saiu de controle enquanto familiares queimavam a grama crescida de túmulos de parentes.

Lee Han-kyung, vice-chefe do centro de resposta a desastres do governo, disse durante uma reunião nesta quinta-feira que os incêndios florestais mostraram “a realidade da crise climática que ainda não experimentamos”, segundo a agência de notícias Yonhap.

A região atingida pelo incêndio estava enfrentando um clima excepcionalmente seco, com precipitação abaixo da média, segundo a Administração Meteorológica da Coreia.

“As áreas afetadas registraram apenas metade da média de chuvas, juntamente com ventos excepcionalmente fortes, que aceleraram drasticamente a propagação do incêndio e intensificaram os danos”, disse Lee Han-kyung.

Situações climáticas extremas, como ondas de calor, estiagem ou chuvas fortes, têm sido cada vez mais frequentes e são associadas às mudanças climáticas.

Patrimônio ameaçado

As equipes de resgate também estão concentradas em salvar o máximo possível de relíquias e edifícios históricos, mas dezenas de prédios, estátuas, árvores e outros patrimônios nacionais viraram pó.

De acordo com a agência coreana responsável pela conservação do patrimônio nacional, dois templos budistas de 1.000 anos foram destruídos pelas chamas, além de uma estátua de um Buda sentado do início do século 9. A base e os galhos de uma árvore de 400 anos considerada a guardiã de uma vila local também foram reduzidas a pó.

O serviço de patrimônio disse que mobilizou cerca de 750 pessoas pelo sudeste sul-coreano para proteger ou remover o que ainda resta. A região abriga grande parte dos mais de 4.000 itens da lista de patrimônio nacional do país.

Em Cheongsong, uma das áreas atingidas pelo fogo, grossas nuvens de fumaça saindo da montanha Juwang era vista na manhã desta quinta-feira.

Em um templo budista próximo à montanha, os trabalhadores cobriram um pagode de pedra e outras estruturas com materiais resistentes ao fogo, enquanto bombeiros jogavam água em locais próximos ao templo.

As áreas mais afetadas incluem a cidade de Andong e os condados vizinhos de Uiseong e Sancheong, e a cidade de Ulsan.

sf (AFP, AP, ots)

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