Christopher Garman: Bolsonaro mantém base popular apesar de decisão do STF

A aceitação de uma nova denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pode resultar em uma condenação nos próximos meses, mas não deve afetar significativamente seu capital político, segundo análise de Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas da Eurasia Group.

De acordo com Garman, é “altamente provável” que o STF venha a condenar o ex-presidente após um julgamento que deve durar entre quatro e seis meses. A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) aceita pela Corte, e que tornou Bolsonaro e outros sete aliados réus, está relacionada ao processo que apura uma tentativa de golpe de Estado durante e depois das eleições de 2022.

Garman ponta que existe um “risco alto” de Bolsonaro enfrentar um mandado de prisão antes das eleições de 2026. Essa possibilidade praticamente elimina as esperanças do grupo político do ex-presidente de reverter sua inelegibilidade para o próximo pleito presidencial.

Apesar desse cenário desfavorável judicialmente, Garman ressalta que, em termos eleitorais, Bolsonaro deve manter um papel de protagonismo na disputa de 2026. “Pesquisas de opinião sugerem que o ex-presidente não perdeu nenhum ponto de apoio popular desde a última eleição presidencial”, afirma.

Desconfiança nas decisões do STF

O diretor da Eurasia também destaca que há uma “grande falta de confiança em decisões do Supremo” por parte do eleitor mediano, que as enxerga como “politicamente motivadas”. Isso pode favorecer o discurso de Bolsonaro de que está sendo “politicamente perseguido”, encontrando eco em sua base conservadora.

“Qualquer nome que ele [Bolsonaro] indicar para poder representá-lo tem boa chance de chegar ao segundo turno [da eleição em 2026] contra o presidente Lula em uma disputa à sua reeleição”, avalia.

Impacto nas relações Brasil-EUA

Por fim, o analista prevê que o julgamento de Bolsonaro nos próximos meses será um ponto de fricção na relação bilateral entre os governos brasileiro e americano.

Para Garman, a Casa Branca “certamente vai enxergar esse julgamento como evidência de perseguição política e inibição de direito de expressão de liberdade individual”, o que pode complicar negociações sobre medidas tarifárias entre os dois países.

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