CEO do Strava aposta em expansão do mercado de corrida no Brasil

O CEO Global do Strava, Michael Martin, visitou o Brasil para avaliar pessoalmente as oportunidades de crescimento do seu negócio por aqui. Em entrevista à CNN, o executivo disse que o país já o segundo maior mercado da empresa, mas que ainda tem um potencial adormecido para o mundo das corridas.

Martin esteve no Rio de Janeiro e em São Paulo entre os dias 17 a 21 de março. Durante a entrevista à CNN no dia 21, o executivo revelou a parceria firmada para a 23ª edição da Maratona do Rio, que será realizada de 18 a 22 de junho.

Veja abaixo a entrevista completa com o CEO Global do Strava, Michael Martin:

Como você vê o potencial do mercado de corrida no Brasil?

“O mercado de corrida no Brasil é enorme. Não é apenas gigantesco, mas também continua crescendo. Nós o vemos como um dos mercados mais importantes para corrida e atividade em geral no mundo. O Strava está aqui para ajudar todos a serem mais ativos, seja correndo, pedalando, nadando, caminhando, o que você quiser, e vim aqui ao Brasil para aprender mais sobre o que o Strava pode fazer para ajudar ainda mais pessoas a serem ativas”.

Você acredita que há alguma barreira que impeça algumas pessoas de baixar o Strava? Há algo que poderia ser melhorado para atrair mais pessoas?

“Sim, eu sou uma pessoa de produtos e sempre vejo coisas que podem ser melhoradas. Mas não acho que haja nenhuma barreira significativa. Um dos benefícios do Strava é que ele é gratuito para qualquer um baixar e usar. Isso contribui absolutamente para o nosso crescimento aqui no Brasil, porque você pode começar imediatamente de graça no que pode ajudá-lo a se tornar mais ativo e, mais tarde, se quiser, se tiver uma meta, um evento, uma corrida, pode assinar e ter uma ajuda extra para avançar e progredir nos seus objetivos”.

Quem são seus concorrentes aqui no Brasil? São empresas que oferecem aplicativos com os mesmos serviços ou empresas que oferecem itens de corrida com serviços semelhantes, como smartwatches que também mostram o ritmo do corredor, por exemplo?

“Há uma série de aplicativos específicos para corrida e produtos exclusivos disponíveis, mas o que torna o Strava único são duas coisas: uma é que temos a maior comunidade do mundo para te ajudar a ter motivação e inspirar você a se exercitar, mas a outra coisa que é que temos um suporte a 50 tipos de esporte, então você pode começar a correr hoje e fazer ciclismo ou algo diferente amanhã”.

A competição do mercado de corrida é canibalista ou, no fim, todos acabam no mesmo ecossistema e se um acaba crescendo os outros também tendem a crescer? 

“Eu acho que é realmente crítico que todos estejam no mesmo ecossistema. O Strava tem uma responsabilidade central dentro desse ecossistema. Há quase 200 milhões de dispositivos e aplicativos fitness que se integram ao nosso IPI, então não importa qual deles você use, você sempre pode olhar o Strava e ver seu histórico completo, e eu acho que isso é muito importante.”

Qual é o potencial de crescimento do Strava aqui no Brasil?

“O Brasil já é o segundo maior mercado do Strava e é um dos nossos mercados de maior crescimento, o que é uma combinação notável. Um em cada dez brasileiros já usa o nosso aplicativo, mas vemos um crescimento incrível para além disso. Quando eu olho para mercados como o Reino Unido, há quase o dobro do número de pessoas em nossa base per capita que usam o Strava lá, então vemos muito potencial latente aqui no Brasil. Estou animado para ver isso acontecer”

A corrida no Brasil aumentou significantemente depois da pandemia, de acordo com alguns estudos. Você acredita que esse movimento é temporário ou pode vir a ser algo cultural? 

“Acho que correr tem uma base cultural e uma oportunidade única aqui no Brasil, e eu pego alguns dos nossos dados do Strava como um exemplo. Desde 2019, o período pré-pandemia, há o dobro de pessoas ativas no Strava em corridas e três vezes mais pessoas ativas no Strava que correm uma maratona. São quase 15% mais corredores de maratona do que vimos em qualquer outra parte de qualquer outro país do mundo, o que torna o Brasil verdadeiramente único em relação à corrida. Por isso, suspeito que ainda que esportes diferentes venham e vão, o que é parte da razão pela qual a Strava apoia 50 esportes diferentes, suspeito que a corrida sempre terá uma veia única aqui no Brasil”.

Que outros esportes você enxerga potencial de crescimento no Brasil, além da corrida? 

“Correr é o esporte mais popular no Brasil, mas alguns dos esportes que mais crescem podem te surpreender. Caminhar é, na verdade, um esporte que cresce muito aqui. A musculação também está se tornando muito importante. Uma das coisas que vemos nos dados sobre os brasileiros, especialmente os jovens como a geração Z, é que eles são muito mais propensos a praticar vários esportes do que apenas um esporte. Torna-se parte da nossa identidade, de estar saudável e em forma, e não apenas um corredor, ciclista, nadador ou o que quer que seja”

E quais outros mercados são impactados por esse boom da corrida?

“Obviamente, há muitos benefícios para os calçados esportivos e as empresas desse gênero. Passei muito tempo conversando com parceiros em diferentes ecossistemas de corrida, nutrição, hidratação, treinamento, e todos eles estão vendo um grande crescimento, o que me deixa animado para ver isso acontecer. No final do dia, tudo isso significa mais pessoas sendo ativas e saudáveis, ​​e essa é a missão da Strava. Então nós não poderíamos estar mais felizes”.

Você veio ao Brasil a negócios, tem novidades para compartilhar? 

“Uma das coisas que realmente me empolgam é que pela primeira vez o Strava será patrocinador oficial da Maratona do Rio. É uma maratona incrível para começar, será historicamente grande este ano. Estou empolgado que o Strava vai ajudar a apoiar e desenvolver esse evento, e estou realmente pensando em voltar [ao Brasil] para correr a maratona”.

Por fim, existe algum objetivo ou número a ser alcançado pelo Strava no Brasil? 

“Nosso objetivo é conectar todos no mundo, então gostaríamos de ver todos os brasileiros no aplicativo, vê-los ativos e saudáveis, mas não temos um alvo específico em mente. Como mencionei, o Brasil é unicamente grande, mas também tem um rápido crescimento. Adoraria ver se tornar o nosso mercado número um, e acho que todos no Brasil têm potencial para fazer isso acontecer”.

Este conteúdo foi originalmente publicado em CEO do Strava aposta em expansão do mercado de corrida no Brasil no site CNN Brasil.

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