Temendo ataques, Alemanha quer equipar eólicas com radar

"OperadoresPaís quer aumentar vigilância sobre navios e drones inimigos na costa marítima. Agressão russa à Ucrânia faz Europa temer pela própria segurança, em meio a suspeitas crescentes de sabotagem.Num esforço para aumentar a vigilância sobre navios e drones inimigos na costa marítima do norte da Alemanha, o governo federal do país pediu a operadores de parques eólicos offshore que instalem radares.

O anúncio foi feito nesta quarta-feira (02/04) pela Agência Federal para Navegação e Hidrografia (BSH), segundo a agência de notícias Reuters. A informação também foi noticiada no dia anterior pelo tabloide alemão Bild, que afirma que o governo federal mudou as diretrizes para a operação de parques eólicos offshore, obrigando as empresas a verificar a viabilidade de instalação de estações de radar nessas estruturas.

Os padrões para 2025, publicados pela BSH no final de janeiro, exigem que os operadores de parques eólicos instalem sistemas de radar de última geração em estruturas adequadas e forneçam os dados coletados às autoridades.

“Os dados são usados principalmente para garantir a segurança das rotas de transporte”, disse Nico Nolte, da BSH, ao Bild, acrescentando que essas informações também são enviadas ao centro federal de segurança marítima no porto de Cuxhaven. A autoridade é responsável pela segurança da costa alemã.

Suspeitas de sabotagem em alta desde a guerra na Ucrânia

A invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 faz a Europa temer pela própria segurança, também marítima. Desde então, o continente registrou diversos danos à sua infraestrutura, como a explosão de gasodutos, o rompimento de cabos submarinos e acidentes envolvendo navios petroleiros da “frota fantasma” a que Moscou recorre para manter suas exportações e contornar as sanções que lhe foram impostas por causa do conflito.

Recentemente, autoridades alemãs iniciaram procedimentos alfandegários após rebocar o navio Eventin, que foi avistado em janeiro à deriva em águas alemãs e é suspeito de fazer parte da frota-fantasma russa. A embarcação, que transportava 100 mil toneladas de petróleo, havia saído de um porto da Rússia com destino ao Egito e navegava sob bandeira do Panamá.

As autoridades afirmam que algumas embarcações podem ter seus sistemas de navegação desligados justamente para não serem detectadas.

No ano passado, a Guarda Costeira da Finlândia registrou interferências nos sinais de navegação por satélite no Mar Báltico, além de alguns petroleiros falsificando dados de localização.

Com os radares de última geração, a Alemanha espera ter mais controle sobre a situação em suas águas.

O país prepara uma expansão de gastos militares sem precedentes, após o Parlamento aprovar a flexibilização dos limites de endividamento do governo.

ra (Reuters, ots)

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