Waack: Trump deu fim ao sistema de comércio internacional

Trump conseguiu duas unanimidades nesta quarta-feira (2), que ele definiu como o “Dia da Independência Americana”, após declarar guerra tarifária ao resto do mundo.

A primeira foi uma reação negativa dos investidores ao redor do planeta, preocupados com as consequências danosas para a economia global de uma guerra comercial que mal está começando. A segunda foi a resposta unânime de vários países, inclusive aliados dos Estados Unidos, em retaliar.

O discurso com o qual Trump anunciou o “Dia do Tarifaço” foi, de fato, histórico. Não se viu, em memória recente, um presidente americano falar como um perdedor. A economia dos EUA é a mais pujante do mundo — ou pelo menos era até agora. No entanto, Trump descreveu seu país como um território devastado por competidores astutos, falsos amigos e uma ordem internacional injusta. Parecia retratar os Estados Unidos como uma nação pequena, pobre, desprotegida e governada por décadas apenas por incompetentes.

Como figura simbólica de seu discurso na Casa Branca, Trump trouxe um operário da indústria automobilística de Detroit — um remanescente de um tipo de economia e de emprego que não existe mais.

O dia foi histórico, de fato, pois marcou a destruição oficial de um regime de décadas de comércio internacional baseado em um mínimo de regras e em considerável multilateralismo. Essa ordem é parte de um sistema que Trump também se empenha em demolir, abrindo caminho para a lei do mais forte.

O Brasil escapou do pior das tarifas, mas a lógica da força bruta — que Trump defende não apenas no comércio — não é boa para nós.

Este conteúdo foi originalmente publicado em Waack: Trump deu fim ao sistema de comércio internacional no site CNN Brasil.

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