Nova capacidade de geração de energia com carvão registra menor resultado em duas décadas

O mundo incorporou em 2024 a menor quantidade de novas capacidades de geração de energia elétrica com carvão em 20 anos, embora o uso deste combustível fóssil continue em alta na China e na Índia, segundo um relatório divulgado nesta quinta-feira.

O carvão responde por mais de um terço da geração de energia elétrica mundial e sua eliminação é considerada crucial para alcançar as metas globais a respeito da mudança climática.

Em 2024, foram criados apenas 44 gigawatts (GW) de novas capacidades energéticas a carvão, o menor número desde 2004, segundo o relatório de um grupo de organizações sobre energia e meio ambiente.

“O ano passado foi uma prévia do que acontecerá com o carvão diante do rápido avanço da transição energética limpa”, declarou Christine Shearer, do Monitor Energético Global, uma das organizações responsáveis pelo relatório.

Mas o número de novas instalações a carvão superou o de fechamento de centrais, o que provocou um aumento líquido nos locais de geração no planeta, aponta o relatório.

A China começou a construir no ano passado uma quantidade recorde de novas centrais a carvão. A Índia também registrou uma quantidade recorde de novos projetos baseados neste combustível, segundo o relatório.

“Ainda é necessário trabalhar para assegurar que a energia a carvão seja abandonada, alinhada com o acordo do clima de Paris, em particular nos países mais ricos do mundo”, afirmou Shearer.

A Agência Internacional de Energia (AIE) afirmou que a demanda mundial de carvão alcançará o pico entre 2024 e 2027, quando o declínio nos países ricos será compensado pelo aumento nos países emergentes.

O setor elétrico chinês consome um terço do carvão no planeta, segundo a AIE, o que significa que o abandono desta fonte de energia por parte de Pequim é crucial.

Entre as economias industrializadas, Japão e Coreia do Sul foram mencionados por sua promoção de “tecnologias duvidosas de ‘descarbonização’ local e internacionalmente”.

O relatório adverte que estas tecnologias são “caras e é improvável que produzam as reduções significativas de emissões necessárias para a estabilidade climática”.

Os grupos também destacaram a incerteza sobre os compromissos dos Estados Unidos no tema, após o retorno de Donald Trump à presidência.

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