Rússia proíbe atividades de fundação de Elton John contra Aids

MOSCOU, 3 ABR (ANSA) – A procuradoria-geral russa proibiu nesta quinta-feira (3) as atividades da Fundação Elton John contra Aids, acusando-a de adotar uma postura negativa em relação a países como a Rússia, que protegem “valores espirituais e morais tradicionais”.   

O gabinete do promotor classificou duas organizações não governamentais, uma registrada nos Estados Unidos e a outra no Reino Unido, ambas chamadas de “Elton John AIDS Foundation”, como “indesejáveis”.   

As autoridades russas alegam que a fundação promove “relações sexuais não tradicionais, modelos familiares ocidentais e redesignação de gênero”. No entanto, o principal objetivo declarado da organização é a prevenção e o controle da Aids.   

O governo de Vladimir Putin considera qualquer relacionamento que não seja entre um homem e uma mulher como “não tradicional”.   

Em 2023, inclusive, a Suprema Corte do país proibiu o chamado “movimento LGBT”.   

Em sua declaração, citada pela agência Interfax, a Procuradoria-geral enfatiza que a Rússia promove “valores tradicionais” a nível legislativo e, desta forma, rotula o movimento LGBTQIA+ como “extremista”.   

Além disso, destaca que o trabalho da fundação “visa alargar o apoio às associações cívicas que ajudam a prevenir e combater a Aids entre os grupos de maior risco, bem como combater a discriminação e a negligência para com pessoas soropositivas e pessoas com opiniões não tradicionais”.   

Para Moscou, a Fundação Elton John contra Aids “tem uma atitude negativa em relação à política dos países que promover valores espirituais e morais tradicionais”.   

“Desde o início da operação militar especial – definição imposta pelo Kremlin para a invasão à Ucrânia – [as organizações] estiveram envolvidas na campanha de informação ocidental destinada a difamar a Rússia”, concluiu o Ministério Público russo.   

Fundada pela lenda pop britânica Elton John em 1992, a instituição financia programas de tratamento de HIV em vários países e também defende a comunidade LGBTQ +, que tem enfrentado anos de perseguição na Rússia. (ANSA).   

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