Guerra comercial derruba bolsas de valores em todo o mundo

"BolsasMercado financeiro global recuou após disputa tarifária entre EUA e China. Índices americanos têm maior queda desde a pandemia da covid-19, em 2020.A imposição de medidas tarifárias abrangentes pelos Estados Unidos e o receio de uma guerra comercial generalizada derrubaram mercados financeiros em todo o mundo, alimentando temores de que a medida de Donald Trump desencadeie uma recessão global. Somente nos EUA, as bolsas de valores sofreram sua maior queda desde a explosão da pandemia da covid-19, em 2020.

O movimento retaliatório da China, que impôs tarifas adicionais de 34% a produtos americanos, também pressionou os mercados e contribuiu para a perda de trilhões de dólares em valor de mercado das empresas americanas.

Nos EUA, Wall Street viu seus principais índices caírem mais de 5%. Um dos principais termômetros da economia americana, o S&P 500, que representa o valor de mercado das 500 maiores empresas de capital aberto do país, despencou 6%.

Já o índice da bolsa de valores Nasdaq, onde estão listadas as principais empresas de tecnologia americanas, teve queda de 5,8% no fechamento do pregão. A diferença para a sua última alta é de mais de 20%.

Na prática o S&P 500 sofreu uma perda no mercado de cerca de 2 trilhões de dólares (R$ 11,4 trilhões), enquanto o setor de tecnologia da Nasdaq reduziu quase 1 trilhão de dólares (R$ 5,7 trilhões) em capitalização de mercado.

O índice de ações Dow Jones também foi afetado, fechando o dia com recuo de 5,5%, e o VIX, conhecido como o “índice do medo”, subiu 39%. Essa volatilidade não era vista desde outubro de 2022. No Brasil, o Ibovespa desabou 3%.

Índices europeus recuam e países discutem retaliação

Na Europa, ações de empresas do setor de mineração, energia, imóveis, produtos farmacêuticos, bancos, varejo e moda derreteram após líderes europeusalertarem sobre medidas de retaliação. O presidente francês Emmanuel Macron, por exemplo, pediu às empresas que suspendessem investimentos planejados nos EUA.

Um dos principais índices europeus que reúne 600 empresas de 17 países, o Stoxx 600, caiu 5,12% nesta sexta-feira.

O FTSE 100, do Reino Unido, e o DAX, da Alemanha, também registraram uma curva negativa de 4,95%.

O CAC 40, da França, caiu 4,26% e o suíço SMI fechou em queda de 5,14%.

Outros mercados da Europa também foram afetados. Áustria, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, Grécia, Itália, Holanda, Noruega, Polônia, Portugal, Espanha e Suécia perderam entre 3% e 7% de seu valor. A Rússia e a Turquia fecharam em queda de cerca de 2,5% e 1,1%, respectivamente.

As ações sofreram novas perdas devido às negociações entre os primeiros-ministros do Reino Unido, Austrália e Itália sobre como reagir à onda de tarifas de Trump.

Na Ásia, as bolsas de valores do Japão, Tailândia, Índia e Hong Kong tiveram recuos entre 1,5% e 3,15%.

Inflação e desemprego

As novas tarifas de Donald Trump são “maiores do que o esperado” e seu impacto na inflação também será, disse o presidente do banco central americano, Jerome Powell, nesta sexta-feira.

“Enfrentamos uma perspectiva altamente incerta com riscos elevados de desemprego e inflação mais altos”, afirmou Powell em uma conferência de jornalistas nesta sexta-feira.

Os investidores esperavam que Powell anunciasse medidas de apoio para evitar a sangria das bolsas de valores. Segundo ele, porém, ainda é cedo para definir a resposta do banco central.

gq (dw, dpa, reuters, afp)

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