Lula admite ao cacique Raoni que ‘ainda há muito a ser feito’ para os povos indígenas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu, nesta sexta-feira (4), ao cacique Raoni Metuktire, durante visita à aldeia Piaraçu, no Mato Grosso, que “ainda há muito a ser feito” para os povos indígenas, sem mencionar o tema sensível da exploração de petróleo na região amazônica. Lula viajou para a Terra Indígena Capoto-Jarina, no Parque Nacional do Xingu, à convite do cacique Raoni, que reiterou ao presidente sua denúncia sobre as ameaças ao meio ambiente e aos povos originários.

“Vocês têm direito de reivindicar, de brigar e de conquistar quantas terras for necessário para a gente manter o povo indígena, sua cultura e sua tradição”, disse Lula a Raoni. “Sabemos que ainda há muito a ser feito”, admitiu o presidente, reconhecendo “o papel importante” dos povos indígenas na luta contra as mudanças climáticas. “Sem a proteção dos povos indígenas, o cuidado com a floresta e os rios, a crise climática traria eventos ainda mais extremos, de secas e inundações para toda a população brasileira, sem exceção”, afirmou.

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O encontro na Terra Indígena localizada no Mato Grosso ocorreu às vésperas do Acampamento Terra Livre, que reunirá na próxima semana, em Brasília, indígenas de todo o país e de nações vizinhas para exigir das autoridades avanços na demarcação de terras e pedir políticas de proteção contra a violência.

A reunião tem relevância especial este ano, quando o Brasil sediará, em novembro, a COP30, a conferência climática da ONU, em Belém do Pará. Após voltar à Presidência, em 2023, para um terceiro mandato, Lula retomou o trabalho iniciado entre 2003 e 2010 de homologação de Terras Indígenas. Mas os líderes indígenas denunciam a lentidão com que o processo avança. Sob o estatuto de proteção, esses territórios sofrem menos o impacto do desmatamento, segundo demonstram dados oficiais.

Margem Equatorial

Como antecipou em entrevista recente à AFP, o cacique Raoni pediu a Lula que desista de explorar petróleo na Margem Equatorial, uma área marítima perto da Amazônia. “Estou sabendo que, na Foz do Amazonas, o senhor está pensando no petróleo que tem lá debaixo do mar. Eu penso que não. Porque essas coisas, da forma como estão, garantem que a gente tenha um meio ambiente, a terra com menos poluição e menos aquecimento”, disse-lhe Raoni.

“Eu já tive contato com os espíritos, que sabem dos riscos que a gente tem de continuar trabalhando dessa forma, de destruir e destruir e destruir. Que podemos ter consequências muito grandes que não podemos conseguir parar”, alertou o cacique Raoni, falando em idioma kayapó, traduzido ao português por um intérprete.

O megaprojeto, alvo de duras críticas dos ambientalistas, está sendo analisado pelo Ibama. Lula evitou tocar no assunto, embora em ocasiões anteriores tenha se mostrado favorável a avançar na exploração.

‘Pense no seu sucessor’ 

Usando um colar tradicional presenteado por Raoni, Lula condecorou o cacique com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito, máxima honraria do Estado brasileiro. O líder do povo kayapó, que correu o mundo para denunciar as ameaças do desmatamento e do garimpo ilegal, também pediu para Lula “pensar no seu próximo sucessor” para tomar o bastão nessa luta.

Lula, de 79 anos, ainda demonstra ambiguidade sobre suas intenções de disputar um novo mandato nas eleições presidenciais de outubro de 2026. Na quarta-feira, Raoni recebeu a visita na mesma Terra Indígena da atriz americana Angelina Jolie, ativista dos direitos humanos. Imagens do encontro foram publicadas na página do Instituto Raoni no Instagram. Segundo o instituto, durante o encontro, Raoni e outros líderes conversaram com a atriz sobre assuntos prioritários para a comunidade e lhe mostraram um pouco de seu modo de vida tradicional.

*Com informações da AFP
Publicado por Carolina Ferreira

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