Brasil vai propor candidatura única da América Latina para comando da ONU

O governo brasileiro vai propor à Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) que os países integrantes se unam em uma candidatura única para o cargo de secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

O atual secretário-geral, o português António Guterres, termina seu mandato em 2026. A função é considerada a mais alta dentro da estrutura administrativa da ONU e combina atribuições de liderança diplomática global com o papel de porta-voz da organização.

A seleção do novo secretário-geral envolve articulações políticas entre as principais potências mundiais.

Embora não seja uma regra, um entendimento informal de que haja uma rotatividade no cargo entre as diferentes regiões do mundo. A proposta do Brasil busca reforçar esse princípio, segundo o Itamaraty. O último latino-americano a ocupar o cargo foi o peruano Javier Pérez de Cuéllar, que ficou na função entre 1982 e 1991.

“Pelo sistema de rotatividade regional, a gente entende que [a próxima candidatura] caberia a América Latina e ao Caribe. Então estamos trabalhando para que os países se unam em torno de uma candidatura única, o que nos dá maiores chances de fazer valer esse princípio da rotatividade”, afirmou a embaixadora Gisela Padovan, secretária de América Latina e Caribe do Ministério de Relações Exteriores.

A embaixadora afirmou ainda que o Brasil vai articular com a Celac para que se considere um nome feminino para o cargo, mas reconhece que há uma divergência grande de opiniões entre os países sobre a questão de gênero e que o nome precisa ser um consenso.

Ainda não existe um nome oficial, mas duas mulheres são consideradas possíveis candidatas: a primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley, e a ex-presidente do Chile Michelle Bachelet, que já ocupou um cargo importante na ONU ligado aos direitos humanos.

A proposta será levada pelo Brasil como uma sugestão paralela dentro das discussões da Celac. As conversas começam na próxima quarta-feira (9), quando os representantes dos países se reúnem em Honduras. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viaja ao país nesta terça-feira (8).

A sugestão brasileira se dá em uma esteira de críticas à ONU, com o argumento de que ela perdeu relevância no enfrentamento às crises globais ao longo dos anos. As queixas foram intensificadas com a escalada dos conflitos entre Rússia e Ucrânia e Israel e Palestina.

No Brasil, a queixa recorrente do governo atual diz respeito a falta de representatividade de países subdesenvolvidos no órgão. Pedidos de reforma do Conselho de Segurança e declarações de que a ONU não pode mais ser a mesma de 1945 são frequentes nas falas de Lula.

Como é feita a escolha do chefe da ONU

As eleições para um novo secretário-geral serão realizadas em 2026. A escolha do secretário-geral da ONU começa com a apresentação dos candidatos, que são indicados por países membros da organização.

Esses nomes são enviados aos presidentes da Assembleia Geral e do Conselho de Segurança, e os candidatos podem ser convidados a participar de audiências públicas, onde conversam com representantes dos países e da sociedade civil.

Depois disso, o Conselho de Segurança — formado por 15 países, incluindo cinco que têm poder de veto (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido) — faz votações informais para testar o apoio a cada nome. Para seguir adiante, um candidato precisa do voto favorável de pelo menos nove membros e não pode receber nenhum veto dos cinco permanentes.

Quando o Conselho chega a um acordo, ele envia uma recomendação oficial com o nome escolhido para a Assembleia Geral. Essa etapa costuma ser apenas simbólica: a Assembleia realiza uma votação, geralmente por aclamação, para confirmar a escolha. Na prática, mesmo que a nomeação final seja feita pela Assembleia, é o Conselho de Segurança que decide quem será o próximo secretário-geral da ONU.

Este conteúdo foi originalmente publicado em Brasil vai propor candidatura única da América Latina para comando da ONU no site CNN Brasil.

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