O que esperar da manifestação bolsonarista na avenida Paulista

Uma manifestação liderada por Jair Bolsonaro (PL) está marcada para as 14 horas deste domingo, 6, na avenida Paulista, em São Paulo.

Além do ex-presidente, a expectativa é de que governadores de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), lideranças evangélicas e outros representantes da direita radical subam no trio para pedir anistia aos condenados pelos atos criminosos do 8 de janeiro de 2023.

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Anistia, anistia e anistia

Coordenador da manifestação, Silas Malafaia, presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, tem um histórico de convocação e financiamento de outros atos bolsonaristas — como o 7 de setembro desta mesma avenida e os protestos em Copacabana. Nas últimas semanas, o pastor tem distribuído a contatos no WhatsApp vídeos com fotos e nomes de idosos e mulheres presos por invadir e depredar as sedes dos Três Poderes.

A tese de que o STF (Supremo Tribunal Federal) botou pessoas inofensivas atrás das grades e os associou sem base a uma tentativa de golpe de Estado por mera perseguição política contra Bolsonaro e seu grupo é o principal mote da mobilização, e o próprio ex-presidente orientou apoiadores a não pedirem o impeachment de Lula, apesar do desgaste de seu governo.

“As marcas profundas causadas pela injustiça de homens poderosos jamais serão apagadas”, disse a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) em uma chamada para o ato. “Prender pessoas inocentes, seja no presídio ou em suas próprias casas, é uma violação dos direitos humanos”, acrescentou a senadora Damares Alves (Republicanos-DF). “Não podemos nos calar diante da injustiça que é ver patriotas sendo condenados por pura perseguição política”, concluiu Malafaia.

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Ânimos retomados

A série de atos pela anistia começou em 16 de março, quando Bolsonaro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), e outras lideranças da direita radical discursaram em Copacabana para cerca de 18,3 mil pessoas, segundo o Monitor do Debate Político do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), e 30 mil pessoas, conforme o Datafolha, sem provocar qualquer avanço na discussão dessa pauta no Congresso.

Dias depois, o ex-presidente e sete aliados se tornaram réus no Supremo por uma tentativa de golpe de Estado e a esquerda foi às ruas para pedir sua prisão em atos ainda mais esvaziados. No meio de tudo isso, o STF concedeu prisão domiciliar a Débora Rodrigues dos Santos, cabeleireira que pichou a frase “Perdeu, mané” com batom na estátua A Justiça, que fica em frente ao tribunal, no 8 de janeiro.

Alexandre de Moraes e Flávio Dino haviam votado por prender por 14 anos a mulher, que tem dois filhos, de 6 e 11 anos de idade, mas Fux pediu vista no processo e mencionou o caso no julgamento que tornou Bolsonaro réu, falando em “penas exacerbadas”. O reforço da narrativa de perseguição e a desmobilização do campo adversário foram importantes, mas a perspectiva de revisão de penas pelo Judiciário reanimou de fato a militância que vai às ruas na Paulista.

Até aqui, o STF condenou 497 pessoas pelo quebra-quebra em Brasília, sendo 44 a penas superiores a 17 anos — equiparáveis a um homicídio qualificado. Segundo o tribunal, entre todos os condenados, apenas 43  têm mais de 60 anos, sendo 15 mulheres. Outros 240 foram condenados a penas inferiores a um ano e tiveram a prisão substituída por sanções alternativas.

Palanques para 2026

Além de réu no Supremo, Bolsonaro está inelegível até 2030 por decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mas reafirma que será o candidato da direita em 2026 e aposta nas ruas para demonstrar força popular e manter influência sobre a disputa. Até por esse fator, a avenida Paulista deve reunir possíveis herdeiros de seu espólio eleitoral.

Desse grupo, apenas Tarcísio foi a Copacabana. Para este domingo, Bolsonaro convidou os governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), e de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil). Suas relações com o ex-presidente são distintas, mas todos cobiçam seu eleitorado para alçar voos mais altos nas urnas.

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