Os argumentos favoráveis e contrários ao projeto do teleférico de Nunes

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), avalia a instalação de teleféricos na região da Brasilândia, zona norte da capital paulista, para servir como um projeto-piloto do modal.

A proposta de Nunes prevê a criação de um teleférico de 4,6 km de extensão, com cabines capazes de comportar 10 pessoas e velocidade média de 18 km/h. A estimativa da prefeitura é que o modal possa atender até 3,2 mil passageiros por hora em cada um dos sentidos. A estimativa é que a obra custe cerca de R$ 1 bilhão.

Segundo o prefeito, a implementação do teleférico já era discutida desde 2022, devido a dificuldade de algumas modalidades de transporte público chegarem a algumas regiões por conta do relevo, como é o caso da Brasilândia, bairro com grande desnível de altura.

Em nota enviada à IstoÉ, a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento informou que os estudos do modal levam em consideração a geografia do local e, por conta disso, estão integrados a outras ações em curso na Brasilândia.

“O conceito urbanístico é de integração entre a futura estação Brasilândia do Metrô, Avenida Cantídio Sampaio e a região do CEU Paz”, completa nota.

Solução?

Segundo Ricardo Nunes, o teleférico é uma alternativa pensada para atender o grande volume de pessoas que andam a pé na região da Brasilândia.

Um estudo elaborado pela prefeitura, ao qual a IstoÉ teve acesso, mostra que, entre os diferentes modos de transporte, as viagens a pé superam as realizadas de ônibus, com 38,74% e 30,44%, respectivamente.

O distrito da Brasilândia é o sétimo mais populoso de São Paulo, com 243 mil habitantes. Além disso, ocupa a primeira posição — em comparação com 14 outros distritos —  com mais famílias em atendimento provisório por risco ou emergência.

Para que o projeto saia do papel, é necessário a aprovação da Câmara Municipal de São Paulo. Em janeiro deste ano, a vereadora Sandra Santana (MDB), da base de Nunes, protocolou o Projeto de Lei 32/2025 com o intuito de alterar a Lei n° 13.241, de 12 de dezembro de 2001, visando incluir o transporte por teleférico como modalidade de transporte coletivo no município de São Paulo e de outras providências.

À IstoÉ, a vereadora disse que a expectativa é que implementar o teleférico na região da Brasilândia e, futuramente, “levar o modal para outras regiões da cidade que também são de difícil acesso”. 

O vereador Nabil Bonduki (PT), que é arquiteto e urbanista, apesar de integrar a oposição à gestão de Ricardo Nunes, evitou criticar a ideia e destacou que, devido ao relevo de algumas áreas de São Paulo, o teleférico poderia ser uma alternativa para enfrentar os desafios de mobilidade, mas ressaltou que a proposta necessita de um estudo detalhado e bem fundamentado antes de ser implementada.

“Primeiro, a capacidade de passageiros é baixa. Segundo, os pontos de parada não podem ser muitos, porque isso pode acabar gerando dificuldade. Terceiro, o teleférico seria um modal novo em São Paulo, a gente não tem experiência, tecnologia já consolidada e serviços de manutenção regulares”, disse.

O Brasil já teve um sistema de transporte de massa por cabo, inaugurado no Rio de Janeiro em 2011, mas o modal acabou sendo abandonado e deixou de operar em 2016. Após obras de revitalização, há previsão de que a reinauguração ocorra no final de 2026.

No projeto de São Paulo, as referências são os teleféricos de Guayaquil, no Equador, e o de Santo Domingo, na República Dominicana.

Para o professor Valter Caldana, diretor da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) do Mackenzie, é importante que estudos sobre a questão sejam desenvolvidos, mas “a solução de teleférico tem se mostrado bastante frágil em vários lugares do mundo, especialmente no Brasil”.

Na visão do especialista, a prefeitura deveria considerar investir em outras opções de transporte, como os micro-ônibus elétricos, adotado em diversos países.

Há, ainda, o projeto para a construção da Linha 6-Laranja do metrô, que atenderia a região e está 12 anos atrasada. “Precisa ver se talvez o melhor emprego para esse 1 bilhão de reais é realmente colocar o teleférico ou investir em acelerar a obra do metrô, por exemplo, ou fazer obras complementares ao próprio metrô”, ressaltou. 

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