Presidente do BRB explica compra do Banco Master: ‘Capacidade de competir no futuro’

Depois de valorizarem-se mais de 90% na segunda-feira, 31, as ações do BRB continuaram em ascensão nesta terça, 31, na B3 (a bolsa de valores brasileira), como desdobramento do anúncio do último dia 28 sobre a oferta de compra do Banco Master.

Um dos motivos de os papéis do BRB continuarem em alta pode ser creditado à entrevista concedida nesta terça-feira, 1º, ao programa “Em Ponto”, do canal de TV por assinatura Globonews, pelo presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.

O executivo disse que, na conversa que do dia anterior com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, teve a oportunidade de apresentar as razões que levaram a instituição financeira de Brasília a fazer a oferta de aquisição de 58% das ações do Banco Master.

“A principal delas é a oportunidade de complementar nossos negócios”, afirmou Costa. Segundo ele, o BRB vem passando por grande transformação nos últimos seis anos para deixar de ser um banco regional que atuava somente em crédito consignado para transformar-se em uma instituição financeira completa, presente no país inteiro.

“Somos um banco de varejo, com 9 milhões de clientes, estamos presentes em 97% do território nacional, com agências em 20 estados”, explicou Costa. “Atuamos com pessoas físicas e jurídicas, crédito imobiliário, investimentos e seguridade. Por outro lado, o Master é um banco de atacado, atua no mercado de capitais, com médias e grandes empresas, com câmbio e com um produto que muito nos interessa: o cartão de crédito consignado. Isso mostra a complementaridade de atuação das duas instituições.”

O presidente da BRB esclareceu que a operação foi muito bem estruturada ao estabelecer um conjunto de cláusulas precedentes no contrato de aquisição. Trata-se de condições que precisam ser cumpridas antes de a aquisição ser fechada. Entre elas, uma reorganização societária do Banco Master em que algumas empresas deixarão de fazer parte do grupo a ser comprado pelo BRB, assim como determinados ativos e passivos.

“Estamos analisando os ativos que fazem sentido continuar na estratégia desse novo conglomerado prudencial”, disse Costa. “Os precatórios, os direitos a receber referentes a processos judiciais e os fundos de ações em empresas que não fazem parte da atuação bancária que a gente está definindo não fazem parte do escopo dessa transação. São R$ 23 bilhões do Master que não viriam para esse novo posicionamento em conjunto com o BRB.”

De acordo com o presidente do BRB, para chegar a essas definições, estão sendo feitas due diligences (espécie de auditoria de todas as informações) do Master, processo comum em transações de fusões e aquisições. Isso é necessário para determinar os ativos e passivos do Master, a fim de saber quais fazem sentido compor no novo conglomerado.

“O modelo de negócio do Master tem seus méritos. Permitiu que ganhasse uma posição relevante no mercado e crescesse”, avaliou Costa. “Ao comprar 58% do Master, o BRB passa a atuar de maneira bastante ativa na governança dessa nova instituição, cujo posicionamento do mercado vai mudar.”

Em relação à agressividade do Master em oferecer Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com remuneração bem mais alta que as referências de mercado, Costa considera que o custo dessas captações tende a cair com o tempo.

“O BRB é reconhecido como um porto seguro, com uma base de captação bastante diversificada, sólida, estável e a um custo baixo. Nosso custo médio de captação hoje é 90% do CDI”, afirmou o executivo. Ele acredita que a integração das duas instituições permitirá que, à medida que os CDBs emitidos pelo Master vão vencendo, novos CDBs sejam emitidos com taxas mais próximas às que o BRB pratica hoje, mais alinhadas aos grandes bancos.

Em sua visão, essa é uma das sinergias do negócio que, se for aprovado pelo Banco Central e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), resultará no nono maior banco em carteira de crédito do país, permitindo que o BRB se posicione melhor no mercado financeiro nacional e seja uma alternativa competitiva e de qualidade para todos os clientes.

Sobre a participação acionária que o BRB terá no Master, Costa explicou que o pedido da aquisição instruído no BC é para que o BRB entre no bloco de controle do Master, e, formato de cocontrole. O BRB terá metade menos um de todas as cadeiras de administração do banco: na diretoria executiva, no conselho de administração, no comitê de auditoria e no conselho fiscal.

O contrato de compra e venda prevê um acordo de acionistas que garante ao BRB um voto afirmativo, equivalente a um poder de veto em uma série de matérias relevantes para a condução do dia a dia, como gestão de orçamento, planejamento estratégico, apetite a risco, contratação de executivos e conselheiros, aquisição ou venda de ativos, prestação de garantias, entre outras.

Como o Master passará a fazer parte do conglomerado prudencial do BRB, o conselho de administração do banco brasiliense passa a ser o órgão de administração máximo desse novo conglomerado. Dessa forma, pode atuar, limitar e definir as estratégias de todas as empresas que o compõem.

Costa lembrou que essa é a sétima operação de fusão e aquisição da qual o BRB participa nos últimos seis anos, ao buscar parceiros privados para atuar em uma série de negócios: em corretagem de seguros, com a Wiz; em produtos de seguros, com a CNP, a Cardif e a Mapfre; em plataformas de investimento, com o Banco Genial; com uma fintech chamada Cardbank.

“Nossa visão é de que, para sermos competitivos, precisamos formar ecossistemas, com plataformas com parceiros especializados que podem oferecer produtos, serviços e qualidade de atendimento”, declarou Costa. “O resultado que essas operações têm trazido são bastante positivos.”

Conforme o executivo do BRB, em sendo aprovado, o novo conglomerado resultante da aquisição do Master nascerá com mais de R$ 100 bilhões em captações, diversificadas em vários tipos de produto. Dessa forma, os R$ 32 bilhões que o Master tem hoje em CDBs a vencer são um valor compatível com o tamanho desse novo banco.

Costa assegurou que todos os CDBs emitidos pelo Master serão honrados pelas condições e taxas de juros em que foram adquiridos. E ressaltou que, com o tempo, à medida que os títulos forem vencendo, os novos CDBs emitidos virão com uma taxa mais compatível com a taxa de mercado, com o perfil desse novo banco, muito próximas do CDI.

Em relação a eventuais influências políticas para que o BRB fechasse negócio com o Master, Costa garantiu que se trata de uma operação estritamente técnica. “Temos uma grande oportunidade de posicionamento do BRB no mercado e de ter acesso a linhas de negócios, segmentos, produtos, tecnologias que a gente hoje não tem ou não tem uma presença relevante no mercado”, afirmou. “Agregar um braço privado à estrutura bancária do BRB é chave para nossa capacidade de competir no futuro.”

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