Procuradora de Trump quer pena de morte para Luigi Mangione

"AssassinatoProcuradora-geral dos EUA e chefe do Departamento de Justiça, Pam Bondi defendeu pena capital para acusado de executar CEO de plano de saúde.Procuradora-geral dos Estados Unidos e chefe do Departamento de Justiça, Pam Bondi disse nesta terça-feira (01/04) que instruiu promotores a pedir a pena de morte para Luigi Mangione, julgado sob acusação de ter matado Brian Thompson, CEO do plano de saúde UnitedHealthcare.

O presidente Donald Trump, a quem Bondi é subordinada, já havia prometido durante sua campanha à Casa Branca defender a pena capital para alguns tipos de crimes, após o governo anterior, do democrata Joe Biden, suspender execuções de condenados. A medida foi revertida pela procuradora-geral em decisão de 5 de fevereiro.

“O assassinato de Brian Thompson – um homem inocente e pai de duas crianças – foi um assassinato premeditado, a sangue frio, que chocou os Estados Unidos”, disse Bondi em comunicado, classificando o crime como um “ato de violência política”. “Após exame cauteloso, orientei os promotores federais a buscar a pena de morte neste caso.”

Mangione, que estudou em uma universidade de elite americana e vem de família abastada, é acusado de ter abatido Thompson a tiros na porta de um hotel em Manhattan, Nova York, no dia 4 de dezembro de 2024. O executivo de 50 anos havia ido até lá para participar de uma reunião anual com investidores.

A advogada de Mangione, Karen Friedman Agnifilo, reagiu nesta terça à defesa da pena de morte por Bondi afirmando que o Departamento de Justiça “passou da disfuncionalidade à barbárie”. Ela alega que o caso de Mangione é “político e vai contra a recomendação dos promotores federais locais, a lei e o precedente histórico”.

Assassinato galvanizou os EUA

Até ser preso, Mangione, de 26 anos, foi procurado por cinco dias. O crime assustou executivos do ramo de planos de saúde, com alguns deles migrando para o trabalho remoto, e galvanizou críticos do setor frustrados por altas despesas médicas e negação de atendimento. Nas redes sociais, Mangione chegou a ser incensado por alguns como herói.

Segundo a polícia, as balas usadas para matar Thompson traziam as inscrições “negar”, “defender” e “depor”, em alusão a uma máxima frequentemente evocada para descrever as táticas de seguradoras de saúde para evitar cobrir despesas médicas.

Mangione é acusado de assassinato com uso de arma de fogo, crime previsto em lei federal passível de ser punido com a pena de morte. Já a lei estadual prevê como pena máxima para o mesmo crime a prisão perpétua.

Promotores afirmam que os dois julgamentos correrão paralelamente. No caso estadual, que deve tramitar primeiro, ele já se declarou inocente. No caso federal, a pena de morte teria que ser confirmada por um júri.

A polícia afirma que Mangione tinha uma arma de 9 milímetros compatível com a arma usada no crime, e disse ter apreendido com ele outros itens, como um caderno que demonstraria a hostilidade dele em relação à indústria de seguradoras de saúde e executivos ricos.

Segundo os promotores, uma das anotações, feita em agosto de 2024, dizia que “o alvo é [são as] seguradora[s]”, porque elas “preenchem todos os requisitos”. Outra anotação, em outubro, mencionaria a intenção de atacar um CEO de uma seguradora.

A UnitedHealthcare, que é a maior seguradora de saúde dos EUA, diz que Mangione nunca foi cliente da empresa.

ra (AP, AFP, Reuters)

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