Subsidiária do Deutsche Bank multada em € 25 mi por greenwashing

Gestora de ativos DWS foi multada em 25 milhões de euros por fazer propaganda enganosa de investimentos supostamente “sustentáveis”. Penalidade semelhante já havia sido imposta em 2023 nos EUA.A DWS, gestora de ativos pertencente ao Deutsche Bank, foi multada nesta quarta-feira (02/04) em 25 milhões de euros (R$ 154,7 milhões) pela promotoria de Frankfurt, na Alemanha, por fazer propaganda enganosa de investimentos supostamente “sustentáveis”.

A penalidade foi saudada por ativistas como sendo uma das maiores já impostas no planeta a uma empresa acusada de “greenwashing”.

O caso veio à tona em 2021 com a denúncia de uma alta executiva da DWS, que acusou a gestora de promover fundos como sendo mais ambientalmente sustentáveis do que eles de fato eram. Por causa disso, autoridades fizeram diversas operações de busca nos escritórios da subsidiária do banco alemão. Pressionado, o CEO da DWS acabou renunciando em 2022.

O episódio também expôs preocupações crescentes sobre como regular o aumento de investimentos ESG – jargão que designa negócios mais comprometidos com boas práticas ambientais, sociais e de governança – em um momento em que a humanidade se vê forçada a agir rápido para frear as mudanças climáticas.

Ao anunciar a multa, promotores em Frankfurt – centro financeiro da Alemanha – afirmaram que a DWS promoveu “extensivamente” produtos financeiros sob esse rótulo entre 2020 e 2023, apresentando-se como “‘líder’ na área ESG” e alegando que “ESG era uma parte integral do nosso DNA”, algo que as investigações demonstraram não corresponder à realidade.

Os promotores disseram ainda que, embora um “processo de transformação” esteja em andamento na empresa, ele ainda não foi concluído, e é por isso que declarações ao público “não devem ir além do que pode ser efetivamente implementado”.

Um dos fundos anunciados como “verdes” pela DWS foi criado em cooperação com a ONG ambientalista WWF. Mas reportagens publicadas na imprensa alemã revelaram que a promessa de sustentabilidade era inflacionada: o dinheiro levantado ia parar, dentre outras empresas, na gigante do setor de cruzeiros Royal Caribbean e numa subsidiária da Coca-Cola, que é apontada como corresponsável pela poluição dos mares.

DWS já foi multada pelo mesmo motivo nos EUA

A DWS afirma que aceitou a multa e admite que “no passado, nosso marketing às vezes foi entusiasmado demais”, mas insiste que melhorias já foram feitas.

A gestora já havia sido multada em 25 milhões de dólares (R$ 142,3 milhões) em 2023 nos Estados Unidos por declarações enganosas sobre sustentabilidade.

Os problemas na divisão de gestão de ativos do Deutsche Bank representam mais um golpe para o banco, que passou por uma grande reestruturação nos últimos anos em consequência de diversos escândalos na esteira de uma mudança agressiva para o setor de investimentos no início dos anos 2000.

Greenpeace comemora penalidade

A multa imposta pelos promotores de Frankfurt à DWS é a primeira do gênero contra produtos financeiros na Europa acusados de greenwashing.

A ONG ambientalista Greenpeace comemorou a decisão como “histórica”. “É um chamado à razão para toda a indústria: enganar o consumidor não é uma contravenção trivial, mas fraude”, disse Mauricio Vargas, especialista em finanças do grupo.

Vargas acusou a DWS de diminuir seus esforços de sustentabilidade após as acusações, e de continuar a investir pesadamente em combustíveis fósseis.

Embora investimentos ESG tenham se tornado uma classe importante de ativos, críticos afirmam que faltam dados padronizados e critérios que atestem de fato seu grau de sustentabilidade.

Nos últimos anos, a demanda por produtos financeiros sustentáveis aumentou, puxada por grandes investidores e, em parte, devido à pressão da União Europeia (UE).

O mercado reagiu com uma ampla variedade de investimentos ESG, sem que muitas vezes esteja claro para o público externo como exatamente essa classificação é feita.

A autoridade dos mercados da UE emitiu no ano passado novas regras para combater o “greenwashing” no setor financeiro, estabelecendo critérios para que um fundo possa ostentar os termos “ESG” ou “sustentável”.

ra (AFP, dpa, Reuters, ots)

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