Panamá aposta em relação ‘respeitosa’ com os EUA, apesar de ambições pelo Canal

O governo panamenho busca manter um relacionamento “respeitoso” com os Estados Unidos, apesar da ameaça de Donald Trump de retomar o Canal do Panamá, disse o ministro das Relações Exteriores, Javier Martinez-Acha, neste sábado (5), após conversas com uma autoridade americana.

O ministro das Relações Exteriores do Panamá conversou por telefone na sexta-feira com o subsecretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, para discutir várias questões, incluindo o “respeito” pela “neutralidade” da via interoceânica.

A conversa ocorreu antes da visita ao Panamá, na próxima terça-feira, do secretário de defesa dos EUA, Pete Hegseth, e em meio a acusações de Trump de suposta interferência chinesa no canal inaugurado pelos Estados Unidos em 1914 e nas mãos do Panamá desde 1999.

“Discutimos migração irregular, crime organizado, tráfico de drogas e ameaças assimétricas que afetam a região. Um intercâmbio cordial e construtivo”, escreveu Martínez-Acha na rede social X.

“Reiterei que toda a cooperação panamenha ocorrerá dentro da estrutura de nossa Constituição, nossas leis e do Tratado de Neutralidade do Canal. As relações com os EUA devem continuar a ser respeitosas, transparentes e de benefício mútuo para ambas as nações”, acrescentou o ministro das Relações Exteriores do Panamá.

Durante a conversa, também discutiram “a recente transação portuária” entre a Hutchison, sediada em Hong Kong, e o fundo americano BlackRock para vender sua concessão em dois portos do Canal do Panamá que opera desde 1997, disse Martinez-Acha.

A Hutchison anunciou em março que venderia 43 portos em 23 países, incluindo suas operações no Panamá, para a BlackRock. No entanto, o negócio não foi fechado em 2 de abril, conforme planejado, pois uma investigação dos órgãos reguladores chineses está em andamento.

“Concordamos” com Landau “sobre a importância de garantir a transparência e a responsabilidade no processo de auditoria” que a Controladoria do Panamá vem realizando desde janeiro na Panama Ports Company, subsidiária local da Hutchison, acrescentou o ministro das Relações Exteriores do Panamá.

A embaixada dos EUA no Panamá disse em um comunicado que o subsecretário de Estado “reconheceu as ações do Panamá no combate à influência maligna do Partido Comunista da China”.

Os Estados Unidos e a China são os dois principais usuários do Canal do Panamá, que liga os oceanos Pacífico e Atlântico e por onde passam 5% do comércio marítimo mundial.

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